quinta-feira, 28 de maio de 2026

O LAGAR DE CERA DE GARVÃO

 E A “PEDRA” JUNTO À PORTA DO SR ZÉ CONDUTO





No “Livro do Tombo do Concelho de Garvão”, com a data de 9 de Maio de 1826, consta, no fólio trinta e nove, a menção ao Lagar de Cera, pagando em cada anno no dia de Natal, 100 réis, ao Concelho.
Auto de Vistoria, Medição, Confrontação e
Tombação de hum terreno.
O Terreno do Lagar de cera junto a esta villa, de que he
Ephyteuta Maria de Jesus, paga de fôro pelo Natal - - - 100 (réis)
(…) nelle se achava edificado um hum Lagar de fabricar cêra Amarella, com todos os seus pertences, e hum quintal de semear murado de taipa e pedra, e nelle duas oliveiras, e huma figueira (…)
(…) que parte do Norte com rua, do Nascente com estrada Real, do Sul com curral do Concelho e do Poente com casas do mesmo ephyiteuta (…)
(…) tem de comprimento de Norte a Sul vinte e quatro varas; na
cabeceira do Norte dez; e na do Sul dezanove varas e meia (…)[1]
Tratava-se de hum Lagar de fabricar cêra Amarella, usada na preparação de vernizes, substâncias de limpeza e conservação de móveis. O processo de fabricação envolvia um moroso processo de aquecimento, prensagem e decantação. Na fase de prensagem, numa enorme viga, estava encaixada num parafuso de madeira que estava preso a um enorme peso na ajuda à prensagem.
Junto à porta da loja do Sr. Zé Conduto, loja de roupas e chapelaria nos anos sessenta do século passado, na rua Direita, à esquina da ladeira que dá para a ribeira, estava uma pedra redonda em forma de mó, de grandes dimensões, branca, possivelmente de calcário ou de mármore.
As suas dimensões e o seu formato, aponta para que seja o peso, do lagar de cera.
[1] Em Portugal, antes da introdução do sistema métrico, a vara era uma antiga unidade de medida linear com o valor de aproximadamente 1,10 metros. Era uma unidade base de comprimento, utilizada nomeadamente na construção, que podia subdividir-se em 5 palmos ou 3 côvados.

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